Estudo do Connect Fecomércio-ES mostra avanço gradual da tecnologia no setor, com potencial para elevar a produtividade em até 45% e ampliar a precisão diagnóstica com redução de custos
A inteligência artificial já começou a mudar a forma como hospitais, clínicas e profissionais lidam com o cuidado à saúde e essa transformação tende a se acelerar nos próximos anos. Um estudo do Connect Fecomércio-ES revela que a tecnologia está sendo incorporada gradualmente ao setor, trazendo ganhos de eficiência e novas oportunidades de inovação no Espírito Santo e no Brasil.
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a digitalização da saúde deixou de ser apenas uma tendência e passou a integrar a estratégia de instituições públicas e privadas. “A inteligência artificial já se apresenta como uma ferramenta capaz de apoiar decisões clínicas e otimizar processos. O desafio agora é preparar organizações e profissionais para utilizar essas tecnologias de forma estratégica e ética”.
Os dados analisados mostram que o uso de inteligência artificial ainda é incipiente no país, mas já apresenta crescimento. Entre os estabelecimentos de saúde brasileiros, a adoção passou de 3% para 4%, de acordo com o KPMG 2025 CEO Outlook. No setor privado, o avanço foi mais expressivo, de 4% para 6%, enquanto unidades com mais de 50 leitos registraram crescimento ainda maior, de 5% para 16%, indicando que instituições maiores têm liderado a incorporação dessas tecnologias.
Segundo Spalenza, esse movimento está ligado ao potencial de transformação da IA no funcionamento das organizações de saúde. “A tecnologia permite automatizar tarefas administrativas, melhorar o gerenciamento de dados e apoiar diagnósticos com maior rapidez e precisão, liberando mais tempo para que os profissionais se concentrem no cuidado direto ao paciente”, explicou.
Hoje, as ferramentas mais utilizadas no setor são aquelas voltadas à automação de fluxos de trabalho (67%), seguidas pela inteligência artificial generativa (63%) e pela análise de linguagem (49%), de acordo com a Pesquisa TIC Saúde 2024. São tecnologias que ajudam desde a organização de processos internos até o atendimento e a análise de informações clínicas.
O impacto também pode ser significativo na produtividade. Uma análise da consultoria McKinsey aponta que operações redesenhadas com o uso de inteligência artificial podem elevar a produtividade em até 45%, reduzindo custos operacionais e melhorando a eficiência das equipes.
Além dos ganhos administrativos, a aplicação da tecnologia na assistência médica também avança. Sistemas de inteligência artificial já são utilizados para apoiar triagens, interpretar exames e auxiliar na tomada de decisão clínica, ampliando a capacidade diagnóstica e contribuindo para atendimentos mais ágeis e precisos.
No campo da inovação, o Espírito Santo tem demonstrado dinamismo no ecossistema de saúde digital. O estado registrou o maior crescimento relativo de healthtechs do país entre 2021 e 2022, com aumento de 66%, bem acima da média nacional de 13,7%. Atualmente, o Espírito Santo concentra 2,5% das startups de saúde do Brasil, ocupando o oitavo lugar no ranking nacional, de acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.
Para Spalenza, esse ambiente favorável à inovação pode impulsionar o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao setor. “O crescimento das healthtechs mostra que há um ecossistema em formação no estado, com potencial para desenvolver ferramentas que melhorem gestão, assistência e acesso aos serviços de saúde”, afirmou.
As perspectivas para o mercado também são expressivas. Estimativas da Grand View Research indicam que o setor de inteligência artificial aplicada à saúde no Brasil pode crescer de US$ 84 milhões para cerca de US$ 789 milhões até 2030, o que representa uma expansão de quase nove vezes em menos de uma década.
Mesmo diante desse potencial, especialistas destacam que o avanço da tecnologia exige planejamento e investimentos em infraestrutura digital, integração de dados e qualificação profissional. “A adoção da inteligência artificial exige mudanças na cultura organizacional e na capacitação das equipes. As instituições que conseguirem integrar tecnologia e conhecimento humano estarão mais preparadas para a nova economia da saúde digital”, concluiu o coordenador do Observatório do Comércio.