Mães atípicas no Espírito Santo enfrentam rotina de sobrecarga e cobram fortalecimento de políticas públicas
A maternidade atípica envolve uma rotina que vai muito além dos desafios comuns da criação dos filhos. No Espírito Santo, milhares de mulheres dedicam suas vidas ao cuidado de crianças e adolescentes com autismo, paralisia cerebral, síndromes raras, deficiências intelectuais e outras condições que exigem acompanhamento contínuo, terapias e suporte especializado.
Conhecidas como mães atípicas, essas mulheres frequentemente acumulam funções de cuidadora, terapeuta, mediadora escolar e administradora da própria casa, muitas vezes abrindo mão da carreira profissional para garantir o tratamento dos filhos.
Nos últimos anos, o Espírito Santo avançou em algumas políticas públicas voltadas à inclusão e ao acolhimento dessas famílias. Entre as iniciativas está a ampliação do acesso à Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), documento que facilita o atendimento prioritário e o acesso a serviços públicos. O Estado também ampliou ações ligadas ao atendimento especializado na rede pública de saúde e educação. (es.gov.br)
Na área educacional, municípios capixabas passaram a reforçar o debate sobre educação inclusiva e acompanhamento especializado nas escolas. Porém, muitas famílias ainda relatam dificuldade para conseguir mediadores escolares, terapias multidisciplinares e vagas em atendimento especializado.
Outro avanço recente foi a criação de legislações voltadas à prioridade de atendimento e proteção social para pessoas com deficiência e seus responsáveis. No Espírito Santo, também vêm crescendo debates sobre a necessidade de apoio psicológico às mães atípicas, frequentemente afetadas por sobrecarga emocional, exaustão física e isolamento social.
Segundo especialistas, muitas dessas mulheres desenvolvem quadros de ansiedade e depressão devido à ausência de rede de apoio e à dificuldade de conciliar trabalho, tratamentos médicos e cuidados diários. Em diversos casos, a mãe se torna a única responsável pela rotina terapêutica da criança.
Movimentos de mães atípicas no Estado defendem que as políticas públicas precisam ir além da inclusão formal. Entre as principais reivindicações estão ampliação de terapias pelo SUS, atendimento multiprofissional contínuo, capacitação de profissionais da educação, criação de centros especializados e garantia de acolhimento humanizado às famílias.
No Espírito Santo, algumas cidades também passaram a promover eventos de conscientização sobre o autismo e outras deficiências, fortalecendo a visibilidade das famílias atípicas e incentivando debates sobre acessibilidade e inclusão.
Mais do que reconhecimento, mães atípicas defendem dignidade, suporte e condições reais para que seus filhos tenham desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida. Porque cuidar de quem cuida também é uma política pública necessária.
Foto: Prefeitura São José dos Campos


