Setor atacadista prevê R$ 56,8 bi na arrecadação de ICMS até 2032

 Setor atacadista prevê R$ 56,8 bi na arrecadação de ICMS até 2032
Pesquisa apresentada pelo Sincades nesta terça-feira (19) projeta crescimento do recolhimento de imposto e alerta para os impactos da reforma tributária no Espírito Santo
Responsável pela maior arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Espírito Santo e por milhares de empregos em todo o estado, o setor atacadista e distribuidor prevê uma arrecadação de R$ 56,8 bilhões de ICMS nos próximos sete anos. A informação está detalhada em um estudo inédito apresentado pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) durante o encontro “Atacado & Distribuição – Transformando o agora e projetando o futuro do ES”, realizado pela entidade nesta terça-feira (19), no Palácio Anchieta, em parceria com o Governo do Estado.
A pesquisa “Atacado e Distribuição no Espírito Santo, em dados”, desenvolvida pela Futura | Apex Partners, trouxe informações sobre arrecadação, geração de empregos, comércio interestadual, participação econômica e a presença no desenvolvimento capixaba. O levantamento projeta ainda arrecadação de R$ 9,3 bilhões no último ano do ciclo, com previsão que já considera a transição gradual do ICMS e do ISS para o IBS a partir de 2029.
O presidente do Sincades, Idalberto Moro, detalhou em sua fala de abertura o crescimento de 151% no recolhimento, de 2022 a 2025, quando o estado passou de R$ 2,61 bilhões para R$ 6,64 bilhões na arrecadação gerada exclusivamente pelo atacado distribuidor.
“A participação do setor na arrecadação total do estado praticamente dobrou: saímos de 15% para 29% do ICMS capixaba. Ou seja, quase um terço de tudo o que o estado arrecada passa pelo setor atacadista e distribuidor. No ano passado, R$ 1,66 bilhão desse imposto foi transferido diretamente para os municípios capixabas. Isso representa escolas sendo construídas, postos de saúde sendo equipados, infraestrutura rodoviária melhorando e serviços públicos funcionando”, destacou Moro.
Entre 2017 e 2024, o fluxo comercial do Espírito Santo com os demais estados, considerando a soma de entradas e saídas de mercadorias, saltou de R$ 210,1 bilhões para R$ 908,5 bilhões, segundo o Confaz. O crescimento foi de 332% no período. O volume equivale a 4,3 vezes o PIB estadual e representa cerca de 8% de todo o comércio interestadual brasileiro, embora o Espírito Santo responda por apenas 2% do PIB nacional.
Atualmente, 85% das vendas do atacado são realizadas para fora do território capixaba, sendo o sudeste o destino de 64% do total dessa movimentação. O atacado distribuidor movimentou cerca de R$ 198 bilhões em 2024, sendo R$ 172,9 bilhões destinados a outros estados, indicadores que destacam a posição estratégica na cadeia nacional de distribuição.
Com a transferência gradual da arrecadação do ICMS da origem para o destino das mercadorias, uma das principais mudanças da reforma tributária, estados com forte atuação na distribuição interestadual, como o Espírito Santo, tendem a perder parte da arrecadação.
“Se a gente for pegar a projeção para 2033, a perda é da ordem de R$ 8 bilhões. Isso atingirá diretamente o orçamento do estado e dos municípios, que recebem 25% na arrecadação”, alertou o presidente do Sincades.
Neste contexto, o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, destacou que o estado vive um momento importante de atração de investimentos e que o governo já trabalha em respostas concretas.
“Temos trabalhado para garantir um ambiente saudável, de confiança e segurança para quem quer investir. Nunca tivemos um volume tão significativo de investimentos na atividade portuária, em rodovias e na conexão com a região central do país. Isso tem acelerado a atração de empresas e empregos de qualidade, fortalecendo a economia capixaba e aumentando o poder de consumo das famílias”.
Ferraço afirmou que, entre as alternativas para enfrentar os impactos da reforma tributária, está a criação de grupos técnicos com a participação do setor privado e o uso do Fundo Soberano como ferramenta de estímulo econômico. “Temos caminhos, alternativas e algum tempo, mas não temos todo o tempo”, finalizou.
O estudo apresentado também apontou que o Espírito Santo lidera, no Brasil, na participação do setor atacadista na geração de empregos e está entre os estados com maior proporção de empresas do segmento.
Painel
A programação do dia contou, ainda, com o painel “Dados, Reforma Tributária e o futuro do ES”, reunindo o secretário de Estado da Fazenda, Benício Costa, e o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, com mediação do advogado tributário Alexandre Fiorot. O debate abordou os desafios operacionais da reforma tributária, os efeitos para o ambiente de negócios e as perspectivas para a economia do Espírito Santo.
O evento teve a participação do deputado estadual Marcelo Santos, além de representantes do setor produtivo, lideranças empresariais e autoridades públicas ligadas ao desenvolvimento econômico do Espírito Santo.
Fotos: Cloves Louzada

 

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