Liderança tóxica e falhas na comunicação preocupam profissionais no Espírito Santo
A comunicação interna segue como um dos principais desafios enfrentados por profissionais de recursos humanos no Espírito Santo, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Treinamentos Ágeis (ITA) durante o Conexa H 2026, um dos maiores congressos de gestão de pessoas do Espírito Santo, realizado na última semana em Vitória. A pesquisa também aponta liderança tóxica, turnover e absenteísmo como gargalos recorrentes na gestão de pessoas.
As dores já haviam sido mapeadas previamente pelo ITA, que é coordenado pelas empresárias Thais Bicalho e Isabel Oliveira, com base em tendências de mercado e estudos nacionais, incluindo o Relatório de Tendências Gallup 2026, que consolidam esses quatro pontos como os principais desafios do setor.
Para aprofundar a análise no contexto local, o instituto adotou uma metodologia diferente durante o evento: uma experiência de escuta ativa chamada “Dinâmica das Pedras”, que buscou captar percepções de forma mais sensorial e participativa.
Na prática, 194 profissionais de RH foram convidados a refletir sobre o principal problema enfrentado no dia a dia. Cada participante escolhia uma das dores, escrevia o tema em uma pedra física, sentia o peso do objeto e, em seguida, o descartava em um recipiente metálico. A proposta simbolizava o impacto desses desafios na rotina das organizações.
O resultado da dinâmica mostrou que a comunicação é o maior ponto de atenção, citada por 116 participantes (59,80%). Em seguida aparecem liderança tóxica, com 40 respostas (20,60%), e turnover e absenteísmo, com 38 indicações (19,60%). A partir dos dados coletados, o ITA avalia que a prioridade das empresas deve ser a construção de ambientes baseados em segurança psicológica e comunicação fluida. Para o instituto, os números reforçam que modelos tradicionais de gestão têm perdido eficácia diante dos novos desafios organizacionais.
Thais Bicalho, diretora do ITA responsável pelas interações lúdicas, explica que a dinâmica das pedras foi criada para tornar visíveis desafios que muitas vezes são tratados apenas por meio de números e relatórios. Ao segurar uma pedra identificada com problemas como comunicação ou liderança tóxica, os participantes puderam simbolizar o peso dessas questões no dia a dia. O ato de soltá-la representou a necessidade de reconhecer os problemas e buscar soluções, transformando dados em reflexão e estímulo à mudança.
Como melhorar o ambiente de trabalho
Segundo Isabel Oliveira, responsável pela trilha de capacitação e conteúdo do ITA, o problema central vai além de ferramentas ou processos: concentra-se na forma como as relações humanas são estruturadas dentro das empresas.
De acordo com a especialista, as organizações precisam atuar em três frentes principais para enfrentar os desafios da gestão de pessoas. A primeira é a desobstrução dos canais de comunicação. “A recomendação é substituir a burocracia por rituais ágeis de alinhamento, como reuniões diárias e retrospectivas, que aumentem a transparência, reduzam ruídos e evitem a formação de silos entre equipes”, ressalta Isabel Oliveira.
A segunda frente é o desenvolvimento de lideranças servidoras. “A proposta envolve capacitar gestores para uma atuação baseada em empatia, exemplo e facilitação, reduzindo práticas de microgestão e modelos de comando e controle, que podem contribuir para a criação de ambientes tóxicos”, afirma.
Já o terceiro ponto é o foco na experiência do colaborador. “Para o ITA, indicadores como turnover e absenteísmo são vistos como sintomas de problemas mais amplos. Quando há comunicação clara e uma liderança mais próxima das equipes, o engajamento tende a crescer e os resultados organizacionais são fortalecidos”, completa a especialista.


