ES vive nova fase de investimentos e busca se consolidar como hub logístico nacional
Fórum de Desenvolvimento Econômico do Lide ES reuniu representantes dos principais portos do estado e lideranças de atração de investimentos para discutir como transformar infraestrutura em novas cargas, negócios e conexões internacionais.
O Espírito Santo entrou em uma nova etapa de sua estratégia de desenvolvimento econômico: depois de anos de investimentos em portos, ferrovias, rodovias e aeroportos, o desafio agora é transformar essa infraestrutura em capacidade efetiva de atrair cargas, investimentos e negócios de outras regiões do Brasil e do exterior. Esta foi uma das principais conclusões do Fórum de Desenvolvimento Econômico do Lide ES, realizado nesta terça-feira (29), na Fucape, que reuniu lideranças dos principais terminais portuários do estado e especialistas em atração de investimentos.
Para o presidente do Lide ES, Thiago Santos, o debate deixou claro que o desafio agora é de conexão com outros estados, com o mercado internacional e com novos investidores. Ao reunir representantes dos principais terminais portuários e especialistas em atração de investimentos, o Lide ES reforça seu papel na construção de agendas que aproximam diferentes setores e ajudam a discutir caminhos para o desenvolvimento do estado.
Durante o encontro, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Rogério Salume, defendeu que o Espírito Santo avance na articulação com estados como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, por exemplo, para ampliar o fluxo de cargas pelos portos capixabas. “O ES tem capacidade de porto, ferrovia e rodovia. Chegou a nossa hora de conectar o mar a todos os estados”, afirmou.
Os números mostram a dimensão da vocação logística capixaba: a corrente de comércio exterior do estado chegou a US$ 24 bilhões em 2025, segundo a advogada Luciana Mattar, mediadora do painel de infraestrutura. Entre janeiro e junho de 2026, o Espírito Santo recebeu mais de 215 mil veículos, volume 125% superior ao do mesmo período do ano passado.
A Vports, autoridade portuária dos portos de Vitória, Vila Velha e Aracruz, apresentou R$ 1,6 bilhão em investimentos próprios e de terceiros. Entre os principais projetos estão a implantação de um terminal para exportação de mais de 17 milhões de toneladas anuais, estratégico para o escoamento de petróleo; um novo terminal de líquidos, com operação prevista para 2027 e capacidade total de 128 mil m³; uma nova moega de ferro-gusa; e um contrato de longo prazo, de dez anos, no segmento offshore, vinculado à Petrobras. A companhia também projeta elevar a movimentação de cargas de 8 milhões de toneladas para 13 milhões até 2030 e 20 milhões até 2057.
No Terminal de Vila Velha (TVV), a LOG-IN registrou 415,1 mil toneladas, alta de 40% sobre o primeiro semestre de 2025 e volume que já equivale a 45% de todo o ano passado. Segundo Gustavo Paixão, diretor de Terminais da empresa, a movimentação de cargas no terminal cresceu 82% entre 2020 e 2025.
A estratégia de expansão também passa por levar a experiência desenvolvida no Espírito Santo para outros mercados. Valéria Becalli, gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, destacou projetos de inovação, automação e inteligência artificial já aplicados no terminal e a possibilidade de levar essa expertise para outras operações do país. Para ela, o momento atual abre espaço para que soluções desenvolvidas no estado sejam apresentadas a outras regiões e mercados que enfrentam demandas semelhantes.
China vê Espírito Santo como porta de entrada
A vocação logística também apareceu como um dos principais ativos para a atração de investimentos estrangeiros. No painel “Espírito Santo Global: Atração de Investimentos e Conexão com o Mundo”, o co-chairman e CEO do Lide China, José Ricardo Luz, afirmou que a posição logística está entre os fatores que colocam o estado no radar do mercado chinês. “Quando a gente pensa em Espírito Santo, pensa em hub logístico. Porto é entrada”, disse. Segundo ele, a China respondeu por cerca de US$ 6 bilhões da corrente de comércio exterior de US$ 24 bilhões registrada pelo Espírito Santo em 2025.
A discussão sobre atração de investimentos mostrou que a infraestrutura pode gerar efeitos para além da operação portuária. Dados apresentados pela Nova ES apontam 26 oportunidades em negociação com 21 empresas, sendo 20 oportunidades no setor automotivo, envolvendo 16 empresas, e seis oportunidades em real estate e território, envolvendo cinco empresas. O recorte é de setembro de 2026 e, segundo a própria apresentação, as negociações estão em andamento e não representam investimentos confirmados.
Nesse cenário, a chegada de um investimento âncora pode estimular novos negócios em áreas como cadeia produtiva, tecnologia e serviços, infraestrutura e desenvolvimento territorial, segundo avaliação apresentada durante o encontro.
