Sustentabilidade e recomeço: lonas de propaganda ganham nova vida e renovam esperanças na PSME II, em Viana
“Se eu posso transformar um tecido, eu posso transformar pensamentos e atitudes. É um desafio ensinar, exige sabedoria, mas saio daqui com o sentimento de missão cumprida.”
A frase é da interna R. M., que há três anos atua como uma verdadeira estilista na Prisão de Segurança Média II (PSME II), em Viana. Nas mãos dela e de tantos outros participantes do projeto Fazendo Arte, o que antes era apenas lona de propaganda prestes a ir para o lixo ganha cor, forma e, acima de tudo, um novo propósito: transformar o tecido em atitudes, esperanças e caminhos de recomeço.
Uma corrente de solidariedade e sustentabilidade

Para dar continuidade a esse ciclo de transformação, a Prefeitura de Viana, por meio da Secretaria de Comunicação (SECOM) e em parceria com a Câmara de Vereadores, realizou a entrega de 35.662,6 m² de lonas. Para se ter uma ideia da dimensão desse gesto, o volume equivale a quase cinco campos oficiais de futebol — material suficiente para confeccionar mais de 30 mil bolsas ecológicas.
A parceria não é de hoje: em doações anteriores da Câmara, o projeto já havia produzido 200 bolsas. Com medidas de 37 x 37 cm e consumindo cerca de 85 cm de tecido cada, os modelos são resistentes, produzidos em máquinas retas e overlocks industriais com fios de nylon. A ideia é criar peças duráveis para substituir as sacolas plásticas do dia a dia nas feiras e supermercados, reduzindo o impacto ambiental na natureza.

O presidente da Câmara de Vereadores de Viana, Joilson Broedel, destacou a relevância de fortalecer essa integração institucional: “A Câmara de Vereadores tem o compromisso de apoiar iniciativas que unam preservação ambiental e transformação social. Saber que o material de comunicação do Legislativo, que seria descartado, agora servirá de insumo para bolsas ecológicas e contribuirá diretamente para a ressocialização desses internos nos enche de orgulho. É uma parceria onde todos ganham: o meio ambiente, a comunidade e o futuro dessas pessoas. A Câmara já havia contribuído com a doação de lonas e o resultado dessa iniciativa mostra que vale a pena ampliar esse tipo de parceria.
Para o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, o projeto reflete as diretrizes da gestão municipal em prol do desenvolvimento sustentável e humano. “Em Viana, acreditamos no poder das oportunidades e na economia circular como ferramentas de desenvolvimento social. Esse projeto mostra que é possível transformar resíduos em esperança, capacitação profissional e solidariedade. Doar esse volume expressivo de lonas para a PSME II fortalece nosso trabalho em rede com o Estado, gerando trabalho, renda futura e um impacto direto no atendimento a ONGs, hospitais e causas sociais do nosso município.”

A secretária de Comunicação de Viana, Marcia Brito, ressaltou o papel transformador da comunicação pública quando alinhada à responsabilidade social. “A comunicação pública precisa ir além da informação: ela deve gerar valor contínuo e sustentável para a sociedade. Para a nossa equipe, existe um significado muito especial em dar um novo destino ao material das campanhas. Em vez de simplesmente descartá-las, as lonas retornam à população pelas mãos de quem está aprendendo uma profissão e construindo novas perspectivas. É a comunicação que continua circulando, agora transformada em sustentabilidade, capacitação e solidariedade.”
Mãos que costuram o próprio futuro

Mais do que reciclar resíduos, o projeto promove a ressocialização e a inclusão profissional. A iniciativa faz parte do programa da Secretaria do Estado da Justiça (Sejus) e concede 1 dia de remissão da pena a cada 3 dias trabalhados.
Desde 2023, mais de duas mil bolsas ecológicas foram confeccionadas e doadas a diversas instituições. Mas o ganho mais expressivo é o que acontece dentro de cada participante: “Nunca havia encostado em uma máquina de costura. Estou há dois anos e dois meses no projeto e aprendi todas as técnicas. Pretendo seguir na profissão no futuro”, relata a interna K. K.
O aprendizado, que exige dedicação e paciência, acende a chama de novos sonhos: “Meu primeiro contato com a costura foi aqui na unidade. Estou há 1 ano no projeto e foi uma grande surpresa. Não é fácil aprender a costurar, mas ver a transformação e criar peças do zero nos dá esperança”, compartilha P. H. P.
Uma trajetória de afeto e cuidado

O Fazendo Arte começou de forma modesta há quatro anos e foi estruturado há três. A caminhada iniciou com a confecção de caminhas para pets e evoluiu para roupas hospitalares, almofadas, mantas e, agora, as sacolas ecológicas.
Tudo o que é produzido tem destino certo: ONGs, hospitais e pessoas em situação de vulnerabilidade social. O próximo passo já tem endereço fixo: o projeto vai confeccionar todas as caminhas e roupas pré-operatórias para o Centro de Acolhimento e Tratamento de Animais (Canil e Gatil), que está sendo erguido na Penitenciária Agrícola.
A unidade prisional também mantém o projeto Arco-Íris, focado na produção de brinquedos em crochê (técnica amigurumi) e carrinhos. As peças são destinadas a crianças internadas no Hospital Infantil, na Amaes, na Apae e em projetos sociais. Além disso, com tecido TNT, são confeccionadas roupas pré-cirúrgicas e pijamas ambulatoriais para o Hospital São Lucas.

Para quem produz, a maior recompensa vai além da redução de pena: é a oportunidade de levar um sorriso a quem precisa. Saber que um brinquedo ou uma peça de roupa pode proporcionar momentos de distração e carinho a uma criança em tratamento de câncer é o verdadeiro motor dessa engrenagem.
Como colaborar
O Fazendo Arte e o Arco-Íris mantêm-se vivos graças ao apoio e às doações de entidades, órgãos públicos e pessoas físicas. Se você deseja contribuir com materiais como TNT, lonas ou tecidos, utilize os canais abaixo:
E-mail: psme2@sejus.es.gov.br
Telefones: (27) 3194-0524 / (27) 3194-0527
