Aos 50 anos, casal troca escritório pela cozinha no Espírito Santo
Depois de décadas no competitivo mercado de publicidade e design do Rio de Janeiro, o publicitário Aruan Garcia e a designer Tatiana Menegatti decidiram fazer uma mudança radical de vida. Na casa dos 50 anos, o casal trocou a rotina estressante do mundo corporativo por um novo desafio: empreender na gastronomia e abrir o Izakaya Maneki, restaurante inspirado na cultura japonesa.
A decisão de mudar começou a amadurecer aos poucos. Depois de anos liderando projetos e administrando equipes no setor de design e publicidade, a rotina corporativa passou a pesar. “Com o passar do tempo, o contato com o mundo corporativo começou a cansar. A vontade de fazer algo diferente foi ficando cada vez mais presente”, conta Tatiana.
Ao mesmo tempo, havia o desejo de sair do Rio de Janeiro e aproximar-se da família de Tatiana, que cresceu em Vila Velha. O plano ganhou força durante a pandemia, quando o casal decidiu passar um período em Meaípe, distrito de Guarapari, onde a família tinha uma casa de praia. O que seria temporário acabou se tornando definitivo.
Em 2021, eles venderam o apartamento no Rio e decidiram apostar em uma nova vida no Espírito Santo. Foi nesse momento que um antigo hobby do Aruan começou a ganhar contornos profissionais: cozinhar.
Antes da mudança, Aruan e Tatiana comandavam a Carpa Design, escritório especializado em design de embalagens que chegou a reunir cerca de 20 colaboradores. Durante mais de uma década, atenderam grandes clientes e marcas do mercado nacional, incluindo marcas ligadas aos portfólios da Souza Cruz / BAT, Johnson & Johnson e grandes companhias do setor privado.
A rotina era intensa: Tatiana liderava a área criativa, enquanto Aruan cuidava da gestão do negócio e da prospecção de novos clientes. A mudança para o litoral capixaba abriu espaço para repensar a carreira e experimentar um novo caminho.
Ao longo de anos, Aruan estudou gastronomia. Fez um curso técnico de 12 meses no SENAC Rio e buscou especializações com nomes importantes da gastronomia, como Laurent Suaudeau, Flávia Quaresma, Angélica Vitali, Rogério Shimura, além de outros cursos intensivos como o de pâtisserie no Le Cordon Bleu Rio.
O plano inicial era produzir sobremesas para restaurantes locais, mas o projeto tomou outro rumo quando surgiu a oportunidade de operar um food truck em Meaípe. Assim nasceu o Senhor Yaki, com cardápio simples: yakisoba. Com a necessidade de aumentar a demanda, o casal decidiu alugar uma pequena loja no centro de Guarapari e ampliar a proposta gastronômica.
Em um espaço pequeno — inicialmente com apenas 15 metros quadrados, os sócios passaram a oferecer pratos da culinária japonesa, incluindo sushi e preparos quentes cujo maior foco era o delivery.
Desde o início, o casal buscou diferenciar o negócio investindo em técnicas pouco comuns fora de restaurantes especializados, como a maturação de pescados. Para isso, continuaram investindo em formação profissional, incluindo cursos na Nagoya Sushi School, onde acumularam mais de 75 horas de treinamento em técnicas que vão do sushi tradicional ao preparo de ramen e pratos típicos de izakaya.
A jornada também foi marcada por desafios. Um deles ocorreu recentemente, quando o food truck utilizado para eventos foi destruído por um incêndio durante o primeiro evento do verão 2024/2025 em Guarapari.
Mesmo diante das dificuldades, Aruan afirma que a mudança de carreira continua fazendo sentido. “Montar um negócio do zero já é difícil quando você domina totalmente o setor. Quando você vem do outro lado do balcão e precisa buscar todo o conhecimento técnico, o caminho fica ainda mais desafiador”, diz.
Para ele, a transição profissional na maturidade exige paciência e persistência. “De fora, muitas vezes parece uma corrida de 100 metros rasos. Mas quando você passa para o outro lado do balcão percebe que está, na verdade, em uma maratona. É uma maratona em subida, explica”, Garcia.
Foto: Fabricio Saiter
