Receita dos municípios capixabas desacelera, mas mantém trajetória de alta em 2025

 Receita dos municípios capixabas desacelera, mas mantém trajetória de alta em 2025

Dados do anuário Finanças dos Municípios Capixabas mostram que a receita total do Espírito Santo cresceu em ritmo mais moderado no ano, sobretudo pela redução das entradas de operações de crédito em primeiro ano de mandato.

A receita total dos municípios do Espírito Santo somou R$ 27,91 bilhões em 2025, crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior, segundo o anuário Finanças dos Municípios Capixabas, da Aequus Consultoria. O resultado confirma um processo gradual de desaceleração observado nos últimos três anos, após a forte alta de 11,6% registrada em 2022.

As receitas correntes, que sustentam o funcionamento das prefeituras, avançaram 5,8% e somaram R$ 26,28 bilhões, em um cenário de menor dinamismo econômico. Já as receitas de capital recuaram 25,7%, para R$ 1,63 bilhão, reflexo principalmente da forte queda no ingresso de recursos de operações de crédito, que passaram de R$ 845,2 milhões para R$ 190 milhões.

A arrecadação tributária própria cresceu 5,7%, chegando a R$ 5,54 bilhões, após três anos de altas acima de dois dígitos (10,8% em 2022, 14,4% em 2023 e 12,2% em 2024). O Imposto sobre Serviços (ISS), responsável por mais da metade da receita tributária (54,9%), avançou 5,6% e somou R$ 3,04 bilhões. O desempenho refletiu a perda de fôlego do setor de serviços: dados do IBGE mostram que o volume de serviços no Espírito Santo recuou de uma alta de 6,2% em 2024 para apenas 1,2% em 2025.

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) teve elevação de 7,6%, alcançando R$ 757,4 milhões, com 61 dos 78 municípios capixabas registrando crescimento. Serra somou R$ 135,4 milhões, alta de 12,4%, ultrapassou Vitória e assumiu a segunda posição no ranking estadual; Vila Velha manteve a liderança, com R$ 166,7 milhões e alta de 9,6%. Já o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) atingiu novo recorde histórico, de R$ 441,3 milhões, com alta de 7,2%, mesmo em ambiente de juros elevados.

Entre as transferências, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) somou R$ 3,5 bilhões nos municípios capixabas, alta de 7,3% — acima da média nacional, de 6,5%. A quota-parte municipal do ICMS (QPM-ICMS) cresceu 3,4%, para R$ 4,50 bilhões, reflexo da desaceleração da atividade econômica nacional, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 2,3% em 2025, ante 3,4% em 2024.

“O resultado de 2025 confirma que a arrecadação dos municípios capixabas segue crescendo, ainda que em ritmo mais moderado, acompanhando o menor dinamismo da economia nacional. É um cenário de normalização, não de retração”, esclarece o economista Alberto Borges, que é editor do anuário.

Os municípios capixabas também continuaram registrando saldo positivo de R$ 2,65 bilhões no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), equivalente a 10,1% da receita corrente — resultado da diferença entre os R$ 4,70 bilhões recebidos e os R$ 2,05 bilhões destinados à formação do fundo.

Os dados fazem parte da 32ª edição do anuário Finanças dos Municípios Capixabas, elaborado com base nas prestações de contas dos 78 municípios do Espírito Santo ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), da Secretaria do Tesouro Nacional.

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