Das telas para as passarelas: obras de Attilio Colnago inspiram desfile no ES Fashion

 Das telas para as passarelas: obras de Attilio Colnago inspiram desfile no ES Fashion

Coleção da Hagaef transforma pinturas do artista em estampas, bordados, volumes e bolsas artesanais, em uma criação assinada por Nazaré  Dalvi Comério e Ana Vitorino

As pinturas de Attilio Colnago vão deixar as paredes e ganhar movimento durante o ES Fashion 2026, que será realizado entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, na Praça do Papa, em Vitória. Cores, símbolos, personagens e detalhes presentes na obra do artista serão traduzidos em roupas e acessórios no desfile da Hagaef, que apresenta uma coleção desenvolvida pela artista plástica e diretora de criação Nazaré Dalvi Comério, com bolsas concebidas por Ana Vitorino.

A proposta é fazer da passarela uma espécie de galeria em movimento. Em vez de simplesmente reproduzir as telas nos tecidos, a equipe buscou interpretar a linguagem artística de Attilio e transportá-la para modelagens, volumes, estampas, bordados e acabamentos.

“Cada look foi pensado para se tornar uma obra de arte em movimento”, resume Nazaré. Segundo ela, o processo começou com a observação cuidadosa das pinturas, para identificar elementos que pudessem ser redesenhados e incorporados às peças sem perder a identidade original do trabalho do artista.

Para receber as imagens, foram escolhidos tecidos sintéticos com poliéster, necessários para o processo de sublimação. Cada fragmento retirado das obras passou por um trabalho de redesenho, interpretação de luz e adaptação para a estamparia. A coleção também reúne técnicas de serigrafia, tintas douradas, impressões em relevo e bordados produzidos com diferentes cores.

As modelagens acompanham essa atmosfera. Corsês estruturados, volumes marcantes e babados foram usados para criar referências visuais aos rufos, elementos presentes em vestimentas de outros períodos históricos e recorrentes no universo artístico explorado por Attilio.

“Cada tecido foi pensado com cuidado para que o volume e o caimento trouxessem beleza e identidade às peças. Tudo foi desenvolvido de forma a valorizar as obras”, conta Nazaré. A criação envolveu profissionais das áreas de modelagem, estamparia e costura da Hagaef, em um processo marcado por testes, ajustes e reconstruções até que o resultado se aproximasse do conceito idealizado.

Bolsas como objetos de arte

Responsável pelos acessórios, Ana Vitorino partiu do mesmo princípio: a arte poderia ultrapassar os limites da tela e ocupar novos suportes.

“As bolsas não nasceram da moda; nasceram da pintura. Foram concebidas como extensões da obra de Attilio Colnago”, afirma. “Pensei nelas como pequenos relicários contemporâneos, nos quais o Barroco aparece na exuberância das formas e o Renascimento, no equilíbrio da composição”.

O projeto prevê 19 peças. Onze bolsas foram produzidas, cinco delas serão apresentadas no desfile e, posteriormente, todas as bolsas confeccionadas ficarão expostas no estande da Hagaef.

Feitas artesanalmente, elas combinam tecidos como tricoline, Oxford e jacquard com medalhões em relevo, além de broches, correntes, pérolas, metais, mantas resinadas e diferentes tipos de alças. O resultado são acessórios que deixam de ocupar apenas uma função prática e passam a transitar entre a escultura, o objeto artístico e a performance.

Aluna de Attilio há mais de dez anos, Ana acompanha de perto a diversidade de técnicas, materiais e emoções presentes na produção do artista. A relação com Nazaré também é antiga: as duas são amigas há mais de duas décadas e compartilham o interesse pela arte e pela moda.

“No desfile, as bolsas deixam de cumprir apenas uma função utilitária e passam a integrar a narrativa estética”, explica Ana.

Uma parceria construída pela arte

A ligação entre Nazaré e Attilio começou na Universidade Federal do Espírito Santo. Formada em Artes Plásticas, ela foi aluna do artista na Ufes e voltou a recorrer a ele anos depois, durante uma pós-graduação em Design de Produção de Moda. Na ocasião, Attilio orientou sua pesquisa sobre o desenvolvimento de uma base natural para estamparia.

A ideia de reuni-los novamente em um projeto começou a ser desenhada no ano passado. Nazaré já desejava criar uma coleção que aproximasse moda e artes plásticas e encontrou em Ana, admiradora e aluna de Attilio, a parceira para transformar o conceito em roupas e acessórios.

A coleção também recupera a própria trajetória de Nazaré. Aos 68 anos, ela construiu sua carreira entre a arte, a serigrafia e a confecção. O primeiro negócio começou em uma pequena casa de madeira, em Vila Velha, onde produzia roupas ao lado de amigas. Décadas depois, está à frente da criação da Hagaef, empresa com 36 anos de atuação e pioneira no uso da sublimação e da impressão digital no Espírito Santo.

“Arte e moda se complementam. Eu gosto de criar, de colocar a mão na massa, sentir e fazer a coisa acontecer”, afirma Nazaré, que também foi pioneira em Privat, criando e desenvolvendo coleções para outras marcas. Para ela, o desfile representa não apenas a conclusão de uma coleção, mas o encontro de trajetórias ligadas pela criação artística.

Com entrada gratuita, o ES Fashion 2026 terá dez desfiles, mais de 100 estandes e uma programação voltada para moda, criatividade, negócios e sustentabilidade.

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