Estação de Viana renasce como ponto de encontro para novas experiências

 Estação de Viana renasce como ponto de encontro para novas experiências

Por mais de um século, a Estação Ferroviária Eugênio Leonardo de Souza foi lugar de encontros e despedidas. Nesta quarta-feira (19), depois de passar por uma ampla revitalização, o espaço reabriu as portas para a população em uma solenidade que reuniu moradores, autoridades e visitantes. Agora, a antiga estação ganha novos usos e volta a fazer parte da vida da cidade como um espaço de convivência, cultura, lazer e gastronomia.

A proposta da revitalização foi preservar a identidade do complexo ferroviário sem deixar o espaço parado no tempo. A estrutura foi requalificada para receber novas atividades, melhorar a experiência de quem visita o local e criar um ambiente onde a população possa aproveitar a estação para além da sua função histórica

Entre as mudanças está a preparação do espaço para receber o Viana Restaurante, novo empreendimento gastronômico que será inaugurado no dia 31 de agosto. O restaurante será administrado pelo Uaine Group, vencedor da licitação pública realizada pelo município, e terá sua operação integrada às características históricas da estação.

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

 

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

Um dos destaques é justamente a utilização de um vagão ferroviário como área de mesas e cadeiras. A estrutura foi adaptada para receber os clientes sem perder a referência ao passado do local. A revitalização também incluiu um novo bloco de cozinhas para dar suporte ao restaurante, uma área de churrasco de chão e banheiros reformados e adequados ao novo uso do complexo.

O prefeito Wanderson Bueno lembra que a relação de Viana com a estação vai muito além da estrutura física. Ao longo dos anos, o espaço recebeu reformas e adaptações para continuar vivo e preservar uma parte importante da identidade do município. Agora, com a revitalização concluída, a entrega ganha um novo significado para quem vive na cidade. “Nós, enquanto vianenses, sempre tivemos muito carinho por este espaço. A gente sempre defendeu a estação como patrimônio e identidade da cidade. Hoje é com muito orgulho que eu entrego simbolicamente a chave da estação”, declarou.

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

Bueno também vê a chegada do restaurante como uma oportunidade de colocar Viana no roteiro de quem busca gastronomia, entretenimento e lazer, de alto padrão sem precisar sair do município. O trabalho de excelência realizado pelo Uaine Group na Grande Vitória, segundo ele, acompanha a proposta de oferecer uma experiência à altura do novo momento da estação. “É um sentimento de que agora o vianense precisa se arrumar para ir a um lugar dentro do município”, brincou. Para o prefeito, poder viver esse momento na própria cidade é motivo para “bater no peito com orgulho e ver o que Viana se transformou”.

O CEO da Uaine Group, Leonardo Freitas, expressou o entusiasmo em dar início a mais um empreendimento gastronômico, o primeiro fora do circuito Vitória – Vila Velha e desta vez em um local histórico.“Ficamos muito felizes com a oportunidade de participar desse empreendimento. Ao longo de mais de um ano acompanhando as obras, acabamos nos apaixonando por Viana e pelo projeto. Podem ter certeza de que vamos cuidar muito bem dessa estação e queremos fazer dela um exemplo para todo o Espírito Santo”, comentou Freitas.

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

 

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

Nesta quinta-feira (21), o Viana Restaurante terá uma inauguração simbólica antes de receber o público. Os 150 profissionais que trabalharam na revitalização da estação serão os primeiros convidados a provar as delícias servidas no empreendimento. A ideia partiu do prefeito Wanderson Bueno, após uma conversa com um dos pedreiros que participaram da obra, e nasceu da vontade de reconhecer quem ajudou a transformar o espaço. “Nós vamos honrar essas pessoas, porque elas fazem parte dessa entrega”.

A experiência não fica restrita à gastronomia. A estação ganhou um novo palco em formato de vagão, pensado para receber apresentações artísticas, eventos e atividades culturais. As áreas verdes também foram revitalizadas, criando espaços mais agradáveis para convivência e permanência.

Foto: Maycon Lippaus
Foto: Maycon Lippaus

O entorno recebeu uma série de intervenções para acompanhar a transformação do complexo. As vias de acesso foram pavimentadas em PAVS, enquanto calçadas e áreas de circulação passaram por regularização e adequação. A sinalização foi implantada e reorganizada, e a iluminação da estação e do entorno também foi completamente atualizada. Novas luminárias, inspiradas na estética da época ferroviária, foram instaladas para valorizar a arquitetura e os detalhes do local criando, especialmente à noite, uma atmosfera que aproxima o espaço da história sem deixar de lado a estrutura de um ambiente renovado.

As melhorias também chegaram aos acessos. O viaduto da BR recebeu pintura, as escadarias que levam à estação foram reformadas e um muro de arrimo foi implantado para contenção e estabilização de áreas junto aos acessos. Com isso, o espaço ganhou não apenas uma nova aparência, mas melhores condições de circulação, segurança e uso, inclusive no período noturno.

 

Um pedaço da história continua ali

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

No meio de tantas novidades, alguns dos elementos mais antigos da estação continuam ocupando lugar de destaque. É o caso da Maria-Fumaça, locomotiva a vapor fabricada em 1917, nos Estados Unidos, que também passou por reforma e adequações e já pode ser visitada pelo público.

A locomotiva atravessou diferentes capítulos antes de chegar a Viana. Foi adquirida inicialmente por franceses e utilizada durante a Segunda Guerra Mundial. Depois veio para o Brasil, onde trabalhou no transporte de cana-de-açúcar em usinas do Rio de Janeiro até a década de 1980. Mais tarde, integrou uma coleção particular e teve suas características originais preservadas. Em 2006, foi adquirida pela Prefeitura de Viana para preservar esse patrimônio e reforçar a identidade ferroviária do município.

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

A própria estação também carrega mais de 130 anos de histórias. Inaugurada em 12 de julho de 1895 pela Companhia Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, foi a primeira construída na linha que ligava Vitória a Cachoeiro de Itapemirim. Depois, passou a integrar a Estrada de Ferro Leopoldina, conectando o Espírito Santo ao Rio de Janeiro. Na década de 1960, chegou a receber o nome de Jabaeté, antes de retomar sua denominação original.

Desde 2013, o local funciona como museu e também foi ponto de partida do Trem das Montanhas Capixabas, passeio turístico que seguia até Marechal Floriano e, posteriormente, Alfredo Chaves, passando por Domingos Martins. A operação foi encerrada em 2017, mas a retomada do projeto segue em tratativas entre as prefeituras envolvidas, o Governo do Estado e as concessionárias ferroviárias.

Foto: Kaio Torres
Foto: Kaio Torres

Entre as pessoas que acompanharam de perto a história deste espaço está Joacyr de Abreu, que trabalhou no local entre 1979 e 2000. Antigo chefe da estação, ele viveu diferentes momentos deste símbolo vianense e celebra agora sua revitalização. “É uma alegria muito grande ver a estação revitalizada e movimentada novamente. Esse sempre foi um espaço que recebeu muitas pessoas e agora, com a nova proposta e a chegada do restaurante, se torna ainda mais atrativo. Ver esse patrimônio recuperado, bonito e preparado para receber a população deixa a mim e à minha família muito felizes”, comentou Joacyr.

Em 2022, a estação passou a se chamar Eugênio Leonardo de Souza, em homenagem ao ferroviário, policial, Juiz de Paz e servidor público que viveu em Viana e trabalhou na Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), onde se aposentou. Eugênio morreu em 2006, aos 80 anos, deixando esposa e 13 filhos.

Família do senhor Eugênio Leonardo de Souza. Da esquerda para direita, Carlos Fernandes de Souza (filho); Leonardo Ribet de Souza (neto); Fabrício Lyra de Souza (neto); José Cezar de Souza (filho mais velho); Marcos Augusto de Souza (neto); Helder Leonardo de Souza (filho) e Roseane Fátima de Souza Sodré (filha) l Foto: Kaio Torres
Família do senhor Eugênio Leonardo de Souza. Da esquerda para direita, Carlos Fernandes de Souza (filho); Leonardo Ribet de Souza (neto); Fabrício Lyra de Souza (neto); José Cezar de Souza (filho mais velho); Marcos Augusto de Souza (neto); Helder Leonardo de Souza (filho) e Roseane Fátima de Souza Sodré (filha) l Foto: Kaio Torres

Filho do homenageado que dá nome à estação, Helder Leonardo de Souza conhece de perto a importância daquele espaço para a memória de Viana. Para ele, a revitalização ajuda a manter vivas lembranças de quem passou pelos trilhos ao longo dos anos. “É manter viva a história da cidade, a história daqueles que passaram por aqui”, contou.

 

Helder também lembra que muitos desses trabalhadores ainda vivem em Viana e que suas famílias mantêm uma ligação afetiva com a estação. A preservação do local, segundo ele, representa uma forma de reconhecer quem dedicou parte da vida à ferrovia e ajudou a construir a história do município. “É uma memória viva para as famílias desses ferroviários que deram a vida para trazer tudo de bom para nossa cidade”, completou.

Agora, a estação volta a receber pessoas de um jeito diferente. Os trilhos continuam contando o que passou, a Maria-Fumaça preserva parte dessa memória e os novos espaços começam a criar outras histórias. O local ganhou uma nova possibilidade, preparado para receber não apenas quem chega ou parte, mas também quem quer ficar e continuar escrevendo novos capítulos em Viana.

 

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