NOVA ES negocia 26 oportunidades impulsionadas pelo novo ciclo automotivo no Espírito Santo
Efeito multiplicador de projetos âncora, como a fábrica da GWM, abre espaço para novos negócios em diferentes elos da cadeia produtiva
O novo ciclo da indústria automotiva começa a movimentar uma segunda frente de oportunidades no Estado. A NOVA ES, agência de atração de investimentos do Espírito Santo, mantém atualmente 26 oportunidades em negociação, sendo 20 relacionadas diretamente com a cadeia automotiva e outros seis projetos mapeados voltados a segmentos como real estate e desenvolvimento territorial.
Os números foram apresentados na última terça-feira (29) pela diretora-presidente da NOVA ES, Patrícia Gouvêa, durante o Fórum de Desenvolvimento Econômico do LIDE Espírito Santo, e fazem parte de uma “segunda onda” de investimentos que pode ser desencadeada por projetos âncora. O principal exemplo hoje é a GWM, que lançou, no fim de junho, a implantação de sua segunda fábrica no Brasil, em Aracruz.
A unidade da montadora chinesa será instalada em uma área de 1,7 milhão de metros quadrados, em Barra do Riacho, e tem operação prevista para 2029. A capacidade projetada chega a 200 mil veículos por ano e o empreendimento integra o plano de R$ 10 bilhões da GWM para o Brasil até 2032.
Segundo Patrícia Gouvêa, um investimento âncora não termina no investimento em si. Ele cria demanda, movimenta fornecedores, exige novas estruturas e pode gerar uma nova rodada de negócios além de sua própria cadeia produtiva. No setor automotivo, a NOVA ES trabalha, inclusive, com oportunidades envolvendo outros players e projetos de mobilidade, baterias, carregadores, serviços, habitação e novas áreas para empresas.
“Por isso, eu prefiro falar em segunda onda e não simplesmente em cadeia de fornecedores. Um empresário que atua em tecnologia, logística, real estate ou serviços pode encontrar oportunidade no mesmo ciclo econômico. Nosso desafio é transformar esse movimento em capacidade instalada, aumentando a competitividade do Estado para atrair os próximos projetos”, afirma.
A estratégia não está restrita à indústria automotiva. A NOVA ES identifica no Espírito Santo plataformas econômicas consolidadas ou em formação capazes de gerar ciclos semelhantes. Entre elas, portos, logística e indústria; mineração, siderurgia e transformação; petróleo, gás, energia e química; e agro, celulose e bioeconomia. As oportunidades mais interessantes podem surgir justamente nas interseções entre elas.
Competição vai além dos incentivos
Patrícia destaca que a decisão de localização de um investimento não depende de um único atributo. Na avaliação de investidores, entram simultaneamente fatores como acesso a mercados e logística; disponibilidade de área, energia e água; custos de implantação e operação, financiamento e incentivos; mão de obra e fornecedores; e previsibilidade para implantação do projeto.
“Conexão abre portas, mas competitividade é o que converte uma oportunidade em investimento. O investidor compara alternativas e escolhe o território que atende melhor aos requisitos daquele projeto. Por isso, tão importante quanto atrair novas conversas é preparar o Estado para responder a elas”, destaca Patrícia.
Nesse processo, a NOVA ES atua tanto na atração e no acompanhamento de empresas interessadas em investir ou expandir suas operações no Espírito Santo quanto na estruturação de projetos locais que buscam investidores, operadores ou parceiros. No primeiro caso, a agência avalia requisitos, localização e condições do investimento e articula órgãos, concessionárias e parceiros. No segundo, trabalha na estruturação e qualificação dos projetos e na conexão com potenciais investidores.
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