Economia brasileira registra forte oscilação na primeira semana após as eleições de 2026
Dólar sobe, Bolsa de Valores acumula perdas expressivas e investidores acompanham as perspectivas para a política econômica. Indicadores de emprego, inflação e atividade econômica mostram um cenário com resultados distintos.
1º de novembro de 2026 | Economia | Brasil
A economia brasileira encerrou a primeira semana após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 em um ambiente de forte volatilidade no mercado financeiro. Entre os dias 26 e 30 de outubro, o dólar apresentou valorização expressiva, enquanto a Bolsa de Valores brasileira registrou uma das maiores quedas semanais de sua história recente.
O período foi marcado pela reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelas expectativas sobre a condução da política fiscal e por movimentos nos mercados internacionais. Apesar das oscilações, os indicadores econômicos disponíveis também apontam resultados positivos, especialmente no mercado de trabalho.
Dólar e Bolsa registram movimentos expressivos
Na sexta-feira (30), o dólar comercial encerrou as negociações cotado a R$ 5,446, acumulando valorização de 9,15% na semana. Foi a maior alta semanal da moeda norte-americana desde outubro de 2008, período marcado pela crise financeira internacional.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, terminou a semana aos 167.921,80 pontos, com desvalorização acumulada de 18,12%. O resultado representou o pior desempenho semanal desde março de 2020, quando os mercados foram afetados pelo início da pandemia de Covid-19.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após as eleições, a queda acentuada das ações provocou o acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos.
Agência Brasil+1
Dólar em 30/10
R$ 5,446
+9,15% na semana
Ibovespa em 30/10
167.921,80
−18,12% na semana
Dados de fechamento divulgados pela Agência Brasil em 30 de outubro de 2026.
Analistas associaram parte da reação do mercado à necessidade de reavaliar expectativas sobre as contas públicas e as políticas econômicas do próximo mandato presidencial. Entretanto, o cenário internacional também influenciou as negociações, incluindo preocupações com o setor de tecnologia e com os juros globais.
Os números mostram a dimensão das oscilações financeiras, mas não permitem concluir, isoladamente, que houve deterioração equivalente da economia real durante esses cinco dias de negociação.
Folha+1
Inflação e juros continuam entre os principais desafios
A inflação permanece como um dos indicadores centrais para a economia brasileira.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82% em setembro, acumulando 4,58% em 12 meses.
A prévia da inflação de outubro, medida pelo IPCA-15 e divulgada em 23 de outubro, apresentou variação de 0,32%. O grupo de alimentação e bebidas teve alta de 0,88%, enquanto a energia elétrica residencial registrou recuo de preços.
Agência Brasil+1
A taxa básica de juros, a Selic, encontra-se em 13,75% ao ano, conforme a última decisão divulgada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, em setembro.
Juros elevados podem ajudar a controlar a inflação, mas também encarecem o crédito para consumidores e empresas, influenciando investimentos, consumo e atividade econômica.
Banco Central+1
Mercado de trabalho apresenta resultado positivo
Em contraste com as perdas registradas no mercado financeiro, os dados de emprego divulgados pelo IBGE na sexta-feira (30) mostraram redução do desemprego.
A taxa de desocupação ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, o menor resultado para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
O Brasil registrou aproximadamente 103,6 milhões de pessoas ocupadas e 5,6 milhões de desempregados. O rendimento médio real dos trabalhadores alcançou R$ 3.790.
Esses indicadores refletem o desempenho do mercado de trabalho entre julho e setembro, portanto, anterior ao segundo turno das eleições.
Agência Gov+2
Perspectivas de crescimento econômico
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, em 28 de outubro, uma revisão de suas estimativas para a economia brasileira.
A entidade reduziu de 2% para 1,6% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, considerando a desaceleração da indústria e dos serviços, além dos efeitos das taxas de juros elevadas.
A expectativa para a agropecuária, por outro lado, foi elevada de 1,8% para 2,5%, diante de perspectivas mais favoráveis para a produção agrícola.
As estimativas representam projeções econômicas, e não resultados definitivos do PIB.
Agência Brasil
O que esperar dos próximos meses?
Com o encerramento das eleições, a atenção dos agentes econômicos se volta para as definições sobre a equipe econômica, o orçamento público, as despesas governamentais e as medidas previstas para o próximo mandato presidencial.
Entre os principais pontos de acompanhamento estão a trajetória da inflação, as decisões do Banco Central sobre os juros, o desempenho do emprego e a capacidade de crescimento da economia.
A valorização do dólar pode elevar os custos de produtos importados e de insumos utilizados pela indústria, mas os possíveis efeitos sobre os preços ao consumidor dependem da duração do movimento cambial e de outros fatores econômicos.
Da mesma forma, a queda da Bolsa de Valores não significa, necessariamente, redução imediata do emprego, da produção ou da renda da população.
O balanço da primeira semana após as eleições revela, portanto, um cenário de contrastes: forte reação negativa dos mercados financeiros, desemprego em patamar historicamente baixo para o período e perspectivas de crescimento econômico moderado.
Os próximos indicadores e as definições da política econômica serão fundamentais para avaliar se as oscilações observadas representam um movimento temporário de ajuste dos investidores ou o início de uma tendência mais prolongada.
Fontes consultadas: Agência Brasil (26 e 30/10/2026); IBGE, PNAD Contínua e indicadores de inflação; Banco Central do Brasil; B3; Confederação Nacional da Indústria (28/10/2026). Dados disponíveis até 1º de novembro de 2026.
