Impostos chegam a 56% do preço de produtos do Carnaval, aponta levantamento
Itens típicos da festa como máscaras de plástico e fantasias de tecido têm mais de 45% de impostos
Enquanto os foliões se preparam para curtir o Carnaval, uma realidade passa despercebida: mais da metade do valor pago em alguns produtos da festa vai direto para os cofres públicos. Levantamento realizado pelo advogado tributarista Samir Nemer, sócio do FurtadoNemer Advogados, com base em dados do site Impostômetro, do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mostra que a carga tributária embutida em itens típicos do período de folia pode chegar a 56,40%, como ocorre com o uísque.
“No Brasil, o modelo de arrecadação privilegia a tributação sobre o consumo em detrimento da renda ou do patrimônio. Na prática, isso faz com que o consumidor pague uma fatia significativa de impostos embutidos no preço de cada produto, muitas vezes sem sequer ter consciência disso”, explica Nemer, que é mestre em Direito Tributário.
Entre as bebidas alcoólicas, além do uísque, aparecem com tributação elevada o chope (44,39%), a caipirinha (43,89%), a cachaça (43,86%) e a cerveja em lata (39,07%). Os tributos elevados também atingem fantasias e adereços, como máscaras de plástico (46,62%), máscaras de lantejoulas (46,38%) e fantasias de tecido (45,66%), que lideram o ranking entre os itens não alcoólicos.
“Os impostos incidem em múltiplas etapas da cadeia produtiva, desde a compra da matéria-prima até a venda ao consumidor. Esse efeito cascata é o que explica por que produtos relativamente simples chegam às prateleiras com valores tão superiores ao seu custo real de fabricação”, afirma o especialista.
Impacto econômico no Espírito Santo
Mesmo com a elevada carga tributária, o Carnaval segue como um dos períodos mais importantes para a economia capixaba. Estimativa do Connect Fecomércio-ES aponta que a festa deve movimentar R$ 228,7 milhões no Espírito Santo em 2026, alta de 3,5% em relação ao ano passado, com impacto direto nos setores de comércio, serviços e turismo.
A maior parte da movimentação deve se concentrar em alimentação, hospedagem, lazer e transporte, especialmente em municípios litorâneos como Vitória e Guarapari.
Para quem planeja aproveitar a folia, seja no Espírito Santo ou em outros destinos, vale lembrar que os impostos também pesam nos serviços turísticos. A hospedagem em hotel carrega 25,90% de impostos embutidos no valor da diária, enquanto as passagens aéreas têm 22,10% de tributação.
Segundo Nemer, ter essa consciência tributária permite um planejamento financeiro mais eficiente. “O consumidor que entende quanto paga de impostos consegue organizar melhor seu orçamento para o Carnaval. Vale comparar preços entre diferentes fornecedores, pesquisar promoções e considerar alternativas mais econômicas sem perder a qualidade da diversão”, aconselha o especialista.
Confira o ranking completo da tributação no Carnaval:
-
Uísque – 56,40%
-
Máscara de plástico – 46,62%
-
Máscara de lantejoulas – 46,38%
-
Fantasia de carnaval (roupa de tecido) – 45,66%
-
Chope – 44,39%
-
Óculos de sol – 43,91%
-
Caipirinha – 43,89%
-
Cachaça – 43,86%
-
Confete e serpentina – 43,84%
-
Bijuterias – 42,43%
-
Cerveja (lata) – 39,07%
-
Colar havaiano – 38,97%
-
Guarda-sol – 38,97%
-
Sorvete e picolé – 38,73%
-
Spray de espuma – 38,73%
-
Cadeira de praia – 37,05%
-
Refrigerante (lata) – 36,56%
-
Suco pronto – 36,50%
-
Biquíni – 36,02%
-
Protetor solar – 35,06%
-
Apito – 34,58%
-
Hospedagem em hotel – 25,90%
-
Pacote hotel, ingresso e van (desfile de carnaval) – 25,18%
-
Passagem aérea – 22,10%
-
Preservativo – 22,10%
-
Água de coco e água mineral – 22,04%
Fonte: Levantamento do advogado Samir Nemer, com base no site Impostômetro do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
